terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

EDUCAÇÃO SEXUAL NO ENSINO FUNDAMENTAL... ORIENTAÇÃO OU DESORIENTAÇÃO?



Todas as crianças em idade escolar são inocentes, puras e se sadias também são sexualizadas. Negar-lhes, com um ideal arcaico, proibitivo, leigo e preconceituoso, as informações de que nelas existirá uma vida sexual, que começa a partir da puberdade, é uma falácia da ideologia puritana e perniciosa. E por mais que seja estranho essas pessoas que negam a existência da sexualidade nas crianças, ainda insistem em negar esforços educacionais habilitados nesse sentido e insistem também em perseguir as manifestações no mesmo sentido e, por vezes, com um máximo de severidade. Citando até mesmo o remoto Freud: esses (...) “senhores estão cometendo o erro de confundir sexualidade com reprodução, e com isto estão bloqueando seu caminho para a compreensão da sexualidade, das perversões e das neuroses. Este é, contudo, um erro tendencioso. Estranhamente, origina-se do fato de que os senhores mesmos uma vez foram crianças e, enquanto eram crianças estiveram sob a influência da educação. Pois a sociedade deve assumir como uma das mais importantes tarefas educadoras domar e restringir o instinto sexual quando este irrompe como impulso à reprodução, e sujeitá-lo a uma vontade individual (...)”. Mas, falamos da falta dessa educação...

Na idade do ensino fundamental, o adolescente atinge certo grau de maturidade intelectual e que através da educabilidade, para todos os fins práticos, justifica a metodologia da educação sexual nas escolas.

Os educadores e orientadores sexuais cumprem a missão de suprir o vácuo informativo criado, na maioria dos pais, do temor de serem eles mesmos esses educadores, uma vez que são ou se fazem impedidos pela inércia da própria desinformação ou da própria hipocrisia sobre os aspectos da sexualidade. Pois, indiscutivelmente, essa maioria de pais pensa erradamente que poderiam por “idéias nas cabeças dos jovens”, falando de sexo, ou melhor, falando de sexualidade. Os educadores, diferente dos orientadores, tratam não só dos aspectos da informação da fisiologia sexual e das doenças sexualmente transmissíveis, mas de uma vasta temática que abarca grandes dúvidas nos adolescentes, tais como: a afetividade, o amor, o namoro, a homossexualidade, o “ficar”, a gravidez indesejada, o relacionamento interpessoal, os sentimentos e desejos, a auto-estima, o auto-erostimo, sexualidade e drogas, etc. Bem como, quando necessário, buscam resoluções dos problemas dos jovens, já num outro momento, em acompanhamento com os pais, que já vivem as possíveis conseqüências negativas da desinformação, por encaminhamentos, numa abordagem interdisciplinar (médicos ou psicólogos).

A sexualidade ou função sexual está presente em todas as realizações de caráter humano e assim o será sempre. Considerando-a um atributo inerente à pessoa humana, manifestando-se independentemente de qualquer ensinamento, a sexualidade ocupa o seu espaço e se faz presente nas atitudes, comunicação, no consciente, no inconsciente e que inclui a função erótica e reprodutora, as quais essas duas últimas as transcende em muito. Mas, não é a sexualidade em si que provoca danos, mas justamente a sua repressão e a ignorância em torno dela. Como disse, a maioria dos pais sentem-se estranhamente ameaçados pela sexualidade do adolescente e tentam controlá-la das maneiras mais ilógicas, não só através da negação. Alguns pensam que colocar educação sexual nas escolas poderia realmente inserir, precocemente, idéias nas suas cabeças e restringem em casa, por exemplo, as informações sobre métodos anti-concepcionais, na crença de que os jovens devem aprender é a ter medo da gravidez, ao invés de saber como evitá-la; censuram o que o jovem pode ver na televisão ou na internet, como se isso fosse possível, acreditando que mentes puras têm pensamentos puros; controlam o tamanho de suas roupas, imaginando que o decoro impede os pensamentos eróticos e o pior de tudo, fazem de conta que a sexualidade do adolescente não existirá nunca, criando problemas ou agravando alguns que já podem estar ocorrendo. Então, verdadeiramente, os adolescentes são as únicas vítimas a não concordar e a sofrer com as angústias da desinformação contida nessas convenções, perante o que normal e até esperado.

Portanto, a sexualidade inserida no contexto escolar é de extrema importância, pois tudo que nós fazemos, jovens ou mesmo adultos, no nosso dia-a-dia, o fazemos como homem ou como mulher e o crescimento e amadurecimento psicossexual nunca termina, estamos sempre aprendendo os vários e interligados aspectos da sexualidade e também, certamente, estamos ligados às suas conseqüências boas ou ruins. Urge encarar o tema da educação sexual nas escolas com extrema responsabilidade e respeito a esse fazer, que busca uma melhor integração do jovem através de uma adequada orientação para que vivam a sexualidade da forma mais livre, pois a informação educativa proporciona o uso mais responsável da liberdade e é um importante investimento a favor dessa mais plena realização humana.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

TRATANDO OS PROBLEMAS SEXUAIS...



A sexualidade humana tornou-se, tardia e inegavelmente, um assunto discutido, refletido e tratável. Do rompimento das barreiras do pudor acadêmico vitoriano até a psicofisiologia do casal pioneiro de pesquisadores William Masters e Virgínia Johnson é atualmente reconhecida, merecidamente, como especialidade médica ou psicológica através da sexologia. A sexualidade humana vem, então, lenta e obrigatoriamente, afirmando-se como um campo complexo ainda por ser ampliado, ao longo de quase 40 anos, em pesquisas no desenvolvimento do comportamento psicossexual humano, cujo foco de interesse é voltado para o diagnóstico e a metodologia de tratamento das disfunções e desvios da sexualidade.

O título dessa matéria não deveria ter sido colocado com o termo “problemas” sexuais, mas sim com o termo disfunções sexuais. Claro que houve uma intenção e essa foi a de buscar a atenção da maioria das pessoas que percebe nos bloqueios persistentes ou passageiros de suas sexualidades como terríveis e indisolúveis problemas, mas insisto que não os são. Tornam-se problemas sérios e crônicos, na maioria das vezes, quando as pessoas tentam buscar numa ajuda leiga ou tecnicamente desqualificada, em pozinhos energéticos ou em "pilulazinhas" desnecessárias ou mesmo contra-indicadas a saída mais rápida e garantida ou também quando o casal está em uma crise dinâmica e a comunicação, nossa arma mais eficiente, entre eles foi a primeira coisa perdida há tempos. Não há como os casais se submeterem, seja qual for a linha psicoterapeutica, a tratamentos escandalosamente duradouros ou muitas vezes onerosos e conseguirem ainda encontrar soluções satisfatórias ou estáveis de suas queixas, de seus relacionamentos conjugais, sexuais ou pessoais, já corroídos pelas frustrações e desesperanças, se não estiver preservados o amor e uma permanente comunicação entre eles.

Existem dois tipos de disfuncionais: os primários, que sempre tiveram alguma queixa desde as primeiras relações e os secundários, que apresentaram bloqueios depois de um histórico sexual satisfatório. Podem ser tanto homens como mulheres que têm uma parceria fixa e os que não têm. No momento, vamos nos ater aos que preferiram buscar por uma parceria fixa.

Quando se recebe um casal para tratamento de uma disfunção sexual, dele ou dela, a pergunta mais importante, se não for a mais importante da anamnese, deve ser: ainda existe amor entre vocês? (vide postagem: A LUTA DIÁRIA DO AMOR VERDADEIRO). Esse nobre sentimento, se preservado, realmente pode fazer uma simples disfunção, dele ou dela ou conjunta, ser facilmente resolvida pela terapia sexual. Sem ele, qualquer disfunção sexual pode realmente se tornar um problema, como por exemplo, quando essa disfunção é mencionada repetidas vezes, fora da cama, como uma forma de depreciar, afastar ou punir o queixoso e com a intenção de desqualificar e diminuir o outro na relação, como parceiro e como pessoa.As disfunções sexuais mais comuns são, para a mulher, falta de desejo sexual, falta de lubrificação e dificuldades na obtenção de orgasmos. Para o homem, o hipercontrole ejaculatório ou a ejaculação precoce, distúrbios da ereção e também a falta de desejo sexual. Passo a citar alguns aspectos do comportamento sexual inadequado que, inegavelmente, são determinantes e mantém as disfunções.

Através dos tabus, das crenças sexuais e de uma insistente e repressora desinformação sexual originam-se muitas queixas. A regra básica é a repressão sexual como controladora e transformadora. Outras expressões de comportamento, ou seja, o livre posicionamento da escolha subjetiva é a exceção desta regra que choca-se com o que é institucionalmente passado por gerações, implicando em perene fonte de conflitos pela ambigüidade e hipocrisia que o “bom” impessoal e grupal pode representar.

Dentre as perspectivas possíveis que abrangem as disfunções sexuais é apropriado que pensemos que o comportamento sexual inadequado de muitos casais como sendo o resultado de uma série de respostas emocionais condicionadas ao longo da vida juntos. Desavenças verbais e físicas, lutas de poder, hostilidade e raiva dos parceiros, agressividade, ciúmes, etc são circunstâncias que podem ser vistas como estímulos incondicionados que provavelmente eliciarão dor, medo, ansiedade e raiva como respostas condicionadas. No início das parcerias, dos contados afetivo-sexuais, cada um dos parceiros funciona para o outro como um estímulo neutro por não evocarem essas respostas, com o tempo, após os fatores diádicos ou relacionais mencionados terem frequentemente ocorrido, também ocorre o condicionamento e, por exemplo, por associação a visão do rosto, o toque, o som da voz ou mesmo o perfume dos envolvidos pela interação negativa tendem a determinar as respostas condicionadas negativas.

Outro exemplo da dimensão comportamental que possibilita verificar os condicionamentos são as repetições do quê as pessoas fazem, o por quê fazem ou deixam de fazer algo. Tarefa difícil se pensarmos as variedades de valores e experiências de vida encontrados. Como vimos é inquestionável a inibição sexual condicionada por alguns quadros emocionais desgastantes, na dinâmica intensa dos casais, que também provocam no organismo o desencadeamento de respostas vasocongestivas e miotônicas inibidas, que passam a bloquear ereções e provocar alterações negativas nas respostas autônomas responsáveis pela lubrificação feminina.

A dimensão clínica deve sempre ser pesquisada paralelamente ao trabalho psicoterapeutico, pois propõe sempre enfrentar os obstáculos orgânicos que podem diminuir ou impossibilitar o prazer e/ou a espontaneidade de nossas atividades sexuais, tais como: problemas físicos, endócrinos, lesões, uso de drogas, questões psiquiátricas e outros.

No tratamento das disfunções sexuais, o terapeuta deve prescrever, para o ataque inicial da queixa, as tarefas sexuais, que são um importante componente na tentativa de recrudescimento da sintomatologia. Esses exercícios quase sempre são eficientes para modificarem a resposta inadequada. Contudo, esses também podem expor indiretamente os pacientes, devido a dinâmica interativa que proporcionam, ao que consideramos e chamamos de problemas mais profundos e mantenedores de suas queixas: afloramento de fantasias negativas quanto ao tratamento, reminiscências traumáticas dos efeitos da aprendizagem (experiências sexuais traumáticas), perturbações da personalidade, conflitos inconscientes, fobias, etc. Neste momento, o terapeuta deve ser capaz de lidar com essas variáveis ("ouvindo o momento") e, parando a terapia sexual, trabalhar com as cognições e as emoções dos pacientes no intuito de focalizar a intervenção terapêutica nessas duas modalidades do comportamento que são potencialmente compreensíveis, modificáveis e adaptáveis.

Fugindo muito dos “fazeres alternativos psicoterapeuticos”, a formação do terapeuta sexual exige um trabalho com o qual ele adquira um saber, que esteja técnica e cientificamente orientado e habilitado para exercê-lo e transmiti-lo no tratamento das queixas da esfera sexual. Esse saber, contido nas palavras, essa ação colocada em questão é o próprio terapeuta que tem de seguir um conjunto de regras de unidade, normas e conhecimentos sistematizados consagrados pelo empirismo científico. Observa-se também no processo de terapia sexual que os “desaparecimentos” dos sintomas sexuais, em muitos casos são fictícios, e que o sintoma precocemente desaparecido (problema sexual manifesto) pode estar alojando-se em outro lugar ou transfigurando-se.


Quando intervirmos diretamente na eliminação de obstáculos imediatos específicos de um dos elementos do casal ou de ambos, sem evidências de comprometimentos intrapsíquicos profundos ou de personalidades acentuadamente neuróticas em relações conjugais altamente destrutivas ou competitivas, nota-se que a terapia, no que diz respeito aos exercícios terapêuticos propostos, possibilita novamente o desenvolver livre e ajustado da sexualidade. Contudo, quando materiais psicodinâmicos negativamente abundantes são evocados nas experiências com os exercícios ou nas sessões psicoterapeuticas de apoio evidenciando a não modificação da posição subjetiva frente ao sintoma sexual e às dificuldades conflitantes subjacentes, o curso do tratamento tem de ser modificado.

Concluo, ressaltando, que a sexologia deve ser encarada como uma ciência trans-sintomática, pois ela utiliza-se do sintoma para trabalhar o desencadear subentendido nele, o sintoma aponta a direção do que não funciona no conjunto. Por isso não se recolhe, nem se restringe às causas psicológicas remotas relacionadas ao conjunto. Trabalha-se através do sintoma, não somente no sintoma. Essa ciência foge ao preconcebido do “psicologismo”, reconhecendo a doença orgânica, a reação psicossomática, as dificuldades intrapsíquicas e interpessoais.

A LUTA DIÁRIA DO AMOR VERDADEIRO.



Quando as pessoas conscientemente não se gostam, pronto. Resolvido facilmente! Não houve identidade, não aconteceu nenhuma paixão e as pessoas só estavam ali, tentando. Mas muitos casais que se amam viciam em terem entre si embates intermináveis em competições diárias para estabelecerem, cada uma a sua maneira, um tipo de controle, um poder sobre o outro e, principalmente, uma defesa pessoal contra o eterno fantasma do medo da entrega.


Os embates começam sempre de detalhes ínfimos ou das várias e velhas feridas abertas do passado, sempre usadas como uma espécie de lei que foi transgredida e que requer sempre ser exigida. Vendo essas pessoas se digladiarem, se acusarem e se destruírem todos os santos dias, das maneiras mais desarrazoadas possíveis, pensamos: como esses dois se odeiam!!! Mas, existem circunstâncias que não são percebidas a olhos nus. E se esse casal, tão somente, AINDA se ama? E se existe algo, muito verdadeiro e escondido, que os prende um ao outro, a cada dia, e que também os faz renascerem das cinzas do que sobrou do início da relação, que, hoje, está neurótica, doente? É, devemos nos lembrar que as pessoas escolhem por estarem presas umas as outras por uma necessidade de serem felizes... e essa necessidade não nos deixa mentir para nós mesmos e será sempre pela escolha de alguém que traga a felicidade tão desejada!


Existem outros obstáculos que são para todos e que o amor também tem de superar como a luta diária pela sobrevivência, a rotina, as contas a pagar e a falta de sonhos. Mas existe um tipo de pessoa que prefere tentar voltar à atenção somente para as suas próprias questões nessas crises e que vai tentar persistentemente eliminar a presença do parceiro ou parceira que, covarde, mas altruisticamente, não deve ou não pode mais significar uma opção, pois aquela pessoa se imagina melhor se sozinha novamente. Sem o outro por perto, que passou de mocinho a bandido, e que foi poupado de assistir, nessas situações corriqueiras, o "enfraquecimento" do mais fraco da relação, que prefere, tão somente, deixar-se ir.


O motivo mais evidente que percebo nos relacionamentos que vão vivendo de suspiros até morrerem ou se suicidarem é esse: uma das partes desiste e insiste em frustrar a pessoa amada, punindo-a como se ela concentrasse um foco de energia negativa, um epicentro que atrai as coisas ruins que surgem na relação e essa outra se torna um buraco-negro da relação.


Contudo, nas relações amorosas verdadeiras as quais não perdem o bem mais precioso para existirem, que é a confiança incontestável, mas inconsciente em ambas as partes, mesmo que temidas, de que sejam a possibilidade, a opção maior de felicidade mútua, ainda têm o amor a uni-las. Pode ser uma questão de tempo para que esse amor, que se escondeu para se proteger e apenas não quis fazer parte de tanta baixaria, se mantendo lindo e puro, se mostre e cale a boca dos dois contendores.

Fugindo e falando mais que namorando, as pessoas que brigam tanto, se ainda não perderam essa confiança, sabem que ainda muito se amam. Não há nenhuma lógica nisso e nem poderia haver, pois amor é antes de tudo um milagre! As pessoas são tão únicas nos seus universos subjetivos, nos seus conflitos e nos seus desejos, isso nunca ajudará o amor.

Então, quando o milagre do amor acontece, ele inspira e não afasta os apaixonados desiludidos nas relações mais desgastadas e adoecidas que preferem persistir no tempo, como numa penitência que deve ser paga. É só, para muitos desses amores escondidos, uma questão de tempo para que os teimosos, desistam. Para que os mais belos atos façam ceder a todas as certezas dos que precisam e gostam apenas de sempre terem razão, que os cegos e obsessivos rituais de evitação do amor chorem o tempo perdido e que, milagrosa e triunfantemente, os sentimentos mais intensos e verdadeiros fluam sem as amarras do medo da entrega.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009





VOCÊ SABE DIZER NÃO?


Asserção significa afirmação, proposição, asseveração. Assim, ser assertivo é se conduzir afirmativamente nos diferentes momentos da sua existência, em uma integração pessoal muito harmoniosa de auto controle pessoal e contato com a razão e o discernimento próprios.


O comportamento assertivo torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, desejos e verdades, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimentos, a exercitar suas prerrogativas sem negar as alheias e entendendo os desejos e necessidades do outro, que são do outro. A dificuldade de dizer não ao desejo alheio, vem de temores pessoais de ser rejeitado, abandonado, de não ser amado ou respeitado.


Não são comportamentos assertivos reagir a uma situação de modo tímido e passivo, tendo consciência clara da própria omissão pessoal, não dizendo nada para defender seus direitos, não tomando nenhuma atitude em relação a um determinado problema e, tão pouco, reagir gritando, insultando ou mesmo agredindo fisicamente. A assertividade se exprime quando o indivíduo, sem agressão ou passividade, preserva seus direitos, enfrenta, questiona e incomoda se preciso for, procurando atingir seus objetivos sem desvalorizar nem ferir ao outro.


Muita gente confunde asserção com agressão, valorizando-se às custas dos outros, depreciando, ferindo e intimidando, assumindo a postura de dono da verdade e buscando somente auto-afirmação, para atingir seus objetivos. Todo comportamento não assertivo, passivo ou agressivo, vem acompanhado de sofrimento psíquico e tensão corporal, inclusive quando gerado no terreno da sexualidade. Contudo, todos os compartimentos humanos profissionais, afetivos, sociais e, principalmente, familiares envolvem dinâmicas com o outro e serão sempre testados por esse outro. A maioria das pessoas invasivas sempre tenta descobrir onde as pessoas, pouco assertivas e incapazes de dizer a palavra mágica NÃO, irão ser vulneráveis e submissas as suas invasões.


Assim, por exemplo, casais que não conseguem ter um relacionamento adequadamente assertivo sofrem pela ansiedade que vai gerando e, não raro, desenvolvem reações depressivas e ansiogênicas, somatizações e bloqueios sexuais frequentes.


As pessoas não assertivas geralmente “descobrem” o comportamento apropriado depois que a oportunidade passou. Os agressivos, por não saberem controlar suas emoções, tendem a se desculpar com frequência por suas ações e palavras inadequadas e os passivos ficam a remoer o ocorrido, imaginando o que deveriam ter dito ou feito.


Um exemplo simples de assertividade é o caso, frequente, do fura-fila nos bancos: quando isto acontece, o não assertivo briga, xinga e ofende causando um tumulto, ou se omite e, no máximo, resmunga alguma coisa. Já o assertivo se dirige ao espertinho e diz, educada, mas firmemente: acho que o senhor se enganou, o início da fila é lá traz. Pergunte ao segurança. Outro exemplo, muito comum, é quando alguém te pede algo que você não deseja fazer... Diga a essa pessoa:
- Fulano, eu não correspondo com o que você espera de mim, por isso eu digo não a seu desejo, o quê não significa que estou dizendo não a sua pessoa.


É improvável que um indivíduo seja assertivo em todas as ocasiões e papeis sociais que desempenha. Mas ele sempre saberá que mentiu para si mesmo, que foi omisso. Entretanto é importante treinar, treinar e treinar o comportamento assertivo (afirmativo, adequado) de forma a, na maior parte do tempo, nos utilizarmos dele eficientemente. Lembre-se de que a vida é vivida dia-a-dia formando um todo. Você ainda pode escolher como serão o resto dos seus dias... escolha por você! A pessoa mais importante de sua vida!!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

DIGA EU TE AMO... SEM PENSAR O SEU AMOR!



A preocupação sincera pelo bem-estar do outro é o sentimento que mais nos distingue dos outros animais. Nós superamos, em complexidade e profundidade, meras e instintivas reações de nutrição ou proteção para com os nossos afetos. Sobre o amor, os psicanalistas, filósofos, neurologistas e poetas sempre buscarão, em vão, compreendê-lo, explicá-lo, localizá-lo e descrevê-lo em seus componentes.


Mas por que essa remota e improdutiva procura de racionalizar tão belo e poderoso afeto? Nós que somos leigos também tentamos na relação que une a causa ao seu efeito, entendê-lo e confundimo-lo, o tempo todo, com outras necessidades que temos como, principalmente, com a necessidade de sexo, proximidade, proteção, controle e dominação em relação às outras pessoas, chamando-as de amor.


O sentimento de incompreensão idolatrada diante dessa força infinita que rege a humanidade, e porque não dizer o mundo, sempre causou e causa a cada um de nós, a sua maneira, muita angústia, insegurança e sofrimento. Infelizmente, não nos foi dada a clareza divina para entender o amor nas suas variadas manifestações. E não fomos criados para convivermos com coisas as quais não entendamos seu completo funcionamento ou suas causas ou como elas nos devem servir.


Você está amando alguém? Essa pergunta basta para que muitos se perguntem embaraçados por tal condição. O amor, lamentavelmente, para a maioria das pessoas, é interpretado ao se experimentar por alguém, sem entender o por quê, controle, posse e ciúme. Já outros passam a vida duvidando dele ou de já terem amado alguém um dia pelo simples fato de não poderem relacionar coerentemente suas sensações e sentimentos vividos a algo devida e totalmente padronizado num conceito definido. Por ser fundamentado em várias intensidades, objetos, motivos, faltas e desejos torna-se difícil conceituá-lo e afirmá-lo como uno. Sugerem alguns que amar é comprazer-se pela simples existência da pessoa amada, regozijar-se pela sua presença, sua graça, pelo seu crescimento pessoal. É temer pela privação dessa pessoa, temer a sua ausência.


Mas a pergunta, pela incapacidade do homem de se definir afetivamente, permanece: o que é viver o perfeito e único amor? É sempre difícil explicar uma sensação, como subjetivamente sabemos. O amor é uma sensação singular percebida ao se viver a experiência de entrega benigna e despretensiosa ao outro. Sim, só pode ser uma entrega tolerante e passiva! Apostando, como um jogador, tudo no outro, pois nesse jogo nem sempre perder é perder. Ao amar ou ao gostar de gostar, a pessoa dá um salto para sua própria evolução e engrandecimento, pois essa disposição, que dispensa retribuições para existir, é uma sublimação muitas vezes maior que o amor doado. Nada que tentemos como defesa contra o amor nos ensinará ou nos fará experimentar algo dele. Amor é sensação. Pensar e querer compreender o que se está querendo, à princípio, sentir é a atitude mais controladora e anestesiante perante ele e suas sensações.

Sendo belo, prazeroso, puro ou não lembremos que, não obstante, as expectativas de frustração, dor e não compartilhamento são as maiores racionalizações durante a vivência do amor. Ao o idealizarmos pela incerteza do que deva ser, nossa expectativa amorosa recai em idéias e fantasias românticas por demais idílicas e, como nos são impossíveis vivências amorosas como a de Romeu e Julieta, que é uma obra de ficção, achamos que nunca amamos “de verdade” ou que essa doce aventura está somente destinada aos outros, que são nobres e felizardos. Dúvida nos sentimentos, desvalorização da relação amorosa ou da pessoa amada e acomodação à solidão por achar que o grande amor não existe são os descaminhos mais seguidos.


Felizmente, a capacidade para o amor, modesta ou escandalosamente, existe na pessoa normal. O seu grau não a torna menos verdadeira. Contudo, não pode ser perfeita, como nas ficções, pelo simples fato de ser uma reação psicológica inerente ao ser humano e esse não realiza trocas afetivas de inigualável qualidade em nenhum compartimento. Entretanto, na retórica eloqüente dos mais intelectualizados ou manifesto dramaticamente nos mais primitivos, o amor sempre tenta a sua expressão.


Para os que optam por estarem juntos, ele acontece lenta e silenciosamente, na introspecção pelo crescimento pessoal: na vontade de compartilhamento, no respeito e orgulho pelo outro, na paciência e humildade para com o outro. O auto-reconhecimento e amadurecimento para quem se dedica à experiência de estar em relação amorosa com o outro é a sua dádiva. Se no seu início o amor ultrapassa os vários momentos egoístas dos seus protagonistas: brigas, competições e os temores da entrega que um causa no outro, ele irá sobreviver em vida ou em pensamento.

Quanto a ser único, isso seria também da ordem do impossível se o pensarmos como algo estático. Achamos que amamos mais uma única pessoa ou já tivemos de amar várias de muitas formas e intensidades, pois o nosso sentir se transforma, como nós, com o tempo e com a verdade que acreditávamos viver no momento. Mas, um amor se torna claramente superior a todos os demais quando gera segurança e vontade mútua em duas pessoas de construírem, dia-a-dia, tijolo por tijolo, uma fundação sólida e uma moradia feita de um mesmo e básico desejo que as unam e abriguem no final. Pelo desejo que sabemos que temos dentro de nós de amar e sermos amados, o mais lógico a se pensar sobre o amor é que talvez a nossa “última opção amorosa” torne-se mais real, original e, já com a bagagem das experiências, verdadeiramente a primeira.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DEPRESSÃO É...



A palavra depressão vem do latim depressio, que significa abaixamento. É um transtorno mental caracterizado pelo rebaixamento do humor, redução da energia, queixas hipocondríacas e diminuição das atividades. Existe uma alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, choro fácil, pensamentos autodepreciativos, idéias suicidas e diminuição da capacidade de concentração associada, em geral, a fadiga acentuada mesmo após esforço mínimo. Mas esse quadro não deve ser confundido com tristeza ou melancolia, estados normais que eventualmente acometem em todos nós.


Aparecem também outros problemas. Existe quase sempre decréscimo da auto-estima, da autoconfiança, do sono e apetite e a pessoa é acometida de um sentimento de culpabilidade. O humor depressivo varia, de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode ser acompanhado de surtos ditos “neuróticos”, como por exemplo, perda acentuada de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes do horário habitual, lentidão psicomotora, irritabilidade, agitação, perda de peso e diminuição da libido. A presença e a gravidade dos sintomas permitem determinar os graus de depressão.



A leve caracteriza-se pela presença de dois ou três dos sintomas citados, mas o queixoso consegue, com esforço, manter suas atividades profissionais e sociais; a moderada apresenta quatro ou mais dos sintomas citados e já compromete, em algum grau, as atividades profissionais, sociais e familiares do indivíduo, incluindo também o desinteresse pela atividade sexual. Na grave, a qual os sintomas são vivenciados de forma muito acentuada e angustiante, o deprimido se vê quase sempre a quem da vida e essa é um fardo pesado. O deprimido se sente inútil para merecê-la e geralmente desiste de participar de todos os compartimentos normais da vida que todos nós temos.



O tratamento das depressões pode ser essencialmente medicamentoso e cuja duração dependerá de fatores particulares que as individualizam e, em função do melhor dos prognósticos, também deve ser, de forma complementar, psicoterapeutico. Na depressão reativa, as causas da depressão devem ser buscadas e discutidas com o paciente visando o seu autoconhecimento e a sua compreensão. Geralmente essas causas envolvem perdas significativas, mudanças bruscas de situações estruturadas, de um colapso emocional, de conflitos no aspecto profissional, social, familiar ou dos estágios da vida e no stress prolongado que vão persistir enquanto atuarem as circunstâncias desfavoráveis.



A diferença entre as depressões endógenas e as reativas, em alguns casos, são de difícil distinção sendo mais qualitativas que quantitativas. Nas causas endógenas, é fundamental o apoio de drogas antidepressivas concomitante à abordagem psicoterapeutica para um trabalho de reforço de ego e de treino assertivo que, apesar das resistências comuns dessas personalidades, aumentam as defesas dos pacientes para o enfrentamento das angústias normais inerentes aos seres humanos ou das provenientes da disfunção bioquímica. Mas, a maioria dos sintomas pode ser, com o tratamento adequado, enfrentados pelos medicamentos antidepressivos e pelo aumento da capacidade cognitivo-afetiva do paciente que vão munindo-lhe com defesas mais estruturadas diante da vida e de sua existência.

VC É UMA PESSOA MUITO ANSIOSA?



A ansiedade se manifesta naturalmente nos níveis cognitivo, afetivo e somático em todos nós. A ansiedade patológica, a que gera distúrbios nas pessoas, é aquela que se manifesta como uma necessidade psicológica persistente de preencher uma “falta” interna. Essa falta, em algumas pessoas, é uma necessidade inconsciente de controlar mental e antecipadamente a vida, a si próprios, a todos e a tudo fora dessas pessoas. A ansiedade, nesse sentido, manifesta-se sempre num grau elevado por uma necessidade inconsciente de controle total que impede as pessoas, com essa característica, de serem mais sensíveis, espontâneas e criativas.


A pessoa ansiosa tenta mentalmente antecipar, em pensamento, comportamentos e idéias para controlar situações novas, pessoas ou o desconhecido a volta dela, enfim, tudo que está fora dela própria numa tentativa de atingir à perfeição em tudo e não errar nunca nos seus atos ou palavras. Essa é a resposta inconsciente, mas pouco eficiente, às cobranças e às críticas exageradas feitas por pessoas significativas, no seu passado. Essa pessoa, então, passou por um aprendizado cultural, na sua infância e adolescência, que lhe impôs o medo de errar. E depois, responde pela vida afora, por condicionamento, de forma “autônoma” às exigências rígidas de um padrão interno de comportamento pessoal que se mantém através de pensamentos e atitudes voltados para o acerto, a perfeição e para uma rotina funcional de vida.


Mas a perfeição é uma meta humanamente inatingível, pois nada associado ao ser humano é perfeito. O homem foi concebido por Deus, também para errar. O erro, então, é inerente a existência do homem, lhe foi dado e sempre fará parte de sua caminhada, a qual, diariamente, confirma que todos nós erramos!


A compreensão de que familiares ou pessoas significativas que exigiram ou exigem intransigentemente os acertos, da parte de quem, hoje, sente culpa por não conseguir obter 100% desses acertos em tudo que faz e o tempo todo, também erraram ou erram, é vital. Ser criado sob críticas e/ou cobranças faz desenvolver a conduta perfeccionista e controladora nos indivíduos mais suscetível que a adotam, como “tentativa” de fugir de reprovações externas e, principalmente, das auto-reprovações associadas aos erros. A pessoa muito ansiosa também lida com sentimentos pessoais de inferioridade e inadequação que a impede de admirar a si própria e as outras pessoas, assim como realmente são: seres humanos belos, mas falhos e com muitos limites.


Associado ao medo de errar nos relacionamentos pessoais, sexuais, profissionais, sociais e familiares está o receio de ser questionado, avaliado, enfrentado e pior, rejeitado! Daí a pessoa com esse perfil de personalidade usar de comportamentos voltados para o autoritarismo e o domínio de tudo e de todos nessas situações. Como a dinâmica pessoal do ansioso lhe é, geralmente, inconsciente, a sensação de frustração e imperfeição na ausência das impossíveis respostas perfeitas, as quais vão se evidenciando inatingíveis ao longo da sua vida, retro-alimentam o ciclo da resposta ansiosa: falhas – ansiedade – e mais falhas – e mais ansiedade. Esse comportamento inconsciente é quase sempre passado para os filhos pelas cobranças intermináveis que forjam, ao longo do tempo, um superego muito rígido nos filhos também.


O ansioso para não cometer erros e fugir a qualquer tipo de repreensão tenta viver o que ainda não ocorreu, ou seja, tenta moldar na imaginação as respostas, os comportamentos e as atitudes mais corretas e idealizadamente corretas para tudo, perdendo a sua espontaneidade e criatividade, ensaiando e imaginando o tempo todo, vivendo uma vida de antecipações e temendo as mudanças, as experiências novas... o desconhecido.


Todos temos um pouco de ansiedade no nosso comportamento, o que destoa é a necessidade de algumas pessoas insistirem, ao longo de toda a sua vida, de tentarem mecanismos de defesa onipotentes, mas efetivamente nunca operantes como forma de barrar esse temor, que vem da expectativa negativa interna, de que possam tornarem-se vulneráveis, incapazes ou imperfeitos, aos olhos das pessoas, se cometerem erros.