terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A LUTA DIÁRIA DO AMOR VERDADEIRO.



Quando as pessoas conscientemente não se gostam, pronto. Resolvido facilmente! Não houve identidade, não aconteceu nenhuma paixão e as pessoas só estavam ali, tentando. Mas muitos casais que se amam viciam em terem entre si embates intermináveis em competições diárias para estabelecerem, cada uma a sua maneira, um tipo de controle, um poder sobre o outro e, principalmente, uma defesa pessoal contra o eterno fantasma do medo da entrega.


Os embates começam sempre de detalhes ínfimos ou das várias e velhas feridas abertas do passado, sempre usadas como uma espécie de lei que foi transgredida e que requer sempre ser exigida. Vendo essas pessoas se digladiarem, se acusarem e se destruírem todos os santos dias, das maneiras mais desarrazoadas possíveis, pensamos: como esses dois se odeiam!!! Mas, existem circunstâncias que não são percebidas a olhos nus. E se esse casal, tão somente, AINDA se ama? E se existe algo, muito verdadeiro e escondido, que os prende um ao outro, a cada dia, e que também os faz renascerem das cinzas do que sobrou do início da relação, que, hoje, está neurótica, doente? É, devemos nos lembrar que as pessoas escolhem por estarem presas umas as outras por uma necessidade de serem felizes... e essa necessidade não nos deixa mentir para nós mesmos e será sempre pela escolha de alguém que traga a felicidade tão desejada!


Existem outros obstáculos que são para todos e que o amor também tem de superar como a luta diária pela sobrevivência, a rotina, as contas a pagar e a falta de sonhos. Mas existe um tipo de pessoa que prefere tentar voltar à atenção somente para as suas próprias questões nessas crises e que vai tentar persistentemente eliminar a presença do parceiro ou parceira que, covarde, mas altruisticamente, não deve ou não pode mais significar uma opção, pois aquela pessoa se imagina melhor se sozinha novamente. Sem o outro por perto, que passou de mocinho a bandido, e que foi poupado de assistir, nessas situações corriqueiras, o "enfraquecimento" do mais fraco da relação, que prefere, tão somente, deixar-se ir.


O motivo mais evidente que percebo nos relacionamentos que vão vivendo de suspiros até morrerem ou se suicidarem é esse: uma das partes desiste e insiste em frustrar a pessoa amada, punindo-a como se ela concentrasse um foco de energia negativa, um epicentro que atrai as coisas ruins que surgem na relação e essa outra se torna um buraco-negro da relação.


Contudo, nas relações amorosas verdadeiras as quais não perdem o bem mais precioso para existirem, que é a confiança incontestável, mas inconsciente em ambas as partes, mesmo que temidas, de que sejam a possibilidade, a opção maior de felicidade mútua, ainda têm o amor a uni-las. Pode ser uma questão de tempo para que esse amor, que se escondeu para se proteger e apenas não quis fazer parte de tanta baixaria, se mantendo lindo e puro, se mostre e cale a boca dos dois contendores.

Fugindo e falando mais que namorando, as pessoas que brigam tanto, se ainda não perderam essa confiança, sabem que ainda muito se amam. Não há nenhuma lógica nisso e nem poderia haver, pois amor é antes de tudo um milagre! As pessoas são tão únicas nos seus universos subjetivos, nos seus conflitos e nos seus desejos, isso nunca ajudará o amor.

Então, quando o milagre do amor acontece, ele inspira e não afasta os apaixonados desiludidos nas relações mais desgastadas e adoecidas que preferem persistir no tempo, como numa penitência que deve ser paga. É só, para muitos desses amores escondidos, uma questão de tempo para que os teimosos, desistam. Para que os mais belos atos façam ceder a todas as certezas dos que precisam e gostam apenas de sempre terem razão, que os cegos e obsessivos rituais de evitação do amor chorem o tempo perdido e que, milagrosa e triunfantemente, os sentimentos mais intensos e verdadeiros fluam sem as amarras do medo da entrega.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009





VOCÊ SABE DIZER NÃO?


Asserção significa afirmação, proposição, asseveração. Assim, ser assertivo é se conduzir afirmativamente nos diferentes momentos da sua existência, em uma integração pessoal muito harmoniosa de auto controle pessoal e contato com a razão e o discernimento próprios.


O comportamento assertivo torna a pessoa capaz de agir em seus próprios interesses, desejos e verdades, a se afirmar sem ansiedade indevida, a expressar sentimentos sinceros sem constrangimentos, a exercitar suas prerrogativas sem negar as alheias e entendendo os desejos e necessidades do outro, que são do outro. A dificuldade de dizer não ao desejo alheio, vem de temores pessoais de ser rejeitado, abandonado, de não ser amado ou respeitado.


Não são comportamentos assertivos reagir a uma situação de modo tímido e passivo, tendo consciência clara da própria omissão pessoal, não dizendo nada para defender seus direitos, não tomando nenhuma atitude em relação a um determinado problema e, tão pouco, reagir gritando, insultando ou mesmo agredindo fisicamente. A assertividade se exprime quando o indivíduo, sem agressão ou passividade, preserva seus direitos, enfrenta, questiona e incomoda se preciso for, procurando atingir seus objetivos sem desvalorizar nem ferir ao outro.


Muita gente confunde asserção com agressão, valorizando-se às custas dos outros, depreciando, ferindo e intimidando, assumindo a postura de dono da verdade e buscando somente auto-afirmação, para atingir seus objetivos. Todo comportamento não assertivo, passivo ou agressivo, vem acompanhado de sofrimento psíquico e tensão corporal, inclusive quando gerado no terreno da sexualidade. Contudo, todos os compartimentos humanos profissionais, afetivos, sociais e, principalmente, familiares envolvem dinâmicas com o outro e serão sempre testados por esse outro. A maioria das pessoas invasivas sempre tenta descobrir onde as pessoas, pouco assertivas e incapazes de dizer a palavra mágica NÃO, irão ser vulneráveis e submissas as suas invasões.


Assim, por exemplo, casais que não conseguem ter um relacionamento adequadamente assertivo sofrem pela ansiedade que vai gerando e, não raro, desenvolvem reações depressivas e ansiogênicas, somatizações e bloqueios sexuais frequentes.


As pessoas não assertivas geralmente “descobrem” o comportamento apropriado depois que a oportunidade passou. Os agressivos, por não saberem controlar suas emoções, tendem a se desculpar com frequência por suas ações e palavras inadequadas e os passivos ficam a remoer o ocorrido, imaginando o que deveriam ter dito ou feito.


Um exemplo simples de assertividade é o caso, frequente, do fura-fila nos bancos: quando isto acontece, o não assertivo briga, xinga e ofende causando um tumulto, ou se omite e, no máximo, resmunga alguma coisa. Já o assertivo se dirige ao espertinho e diz, educada, mas firmemente: acho que o senhor se enganou, o início da fila é lá traz. Pergunte ao segurança. Outro exemplo, muito comum, é quando alguém te pede algo que você não deseja fazer... Diga a essa pessoa:
- Fulano, eu não correspondo com o que você espera de mim, por isso eu digo não a seu desejo, o quê não significa que estou dizendo não a sua pessoa.


É improvável que um indivíduo seja assertivo em todas as ocasiões e papeis sociais que desempenha. Mas ele sempre saberá que mentiu para si mesmo, que foi omisso. Entretanto é importante treinar, treinar e treinar o comportamento assertivo (afirmativo, adequado) de forma a, na maior parte do tempo, nos utilizarmos dele eficientemente. Lembre-se de que a vida é vivida dia-a-dia formando um todo. Você ainda pode escolher como serão o resto dos seus dias... escolha por você! A pessoa mais importante de sua vida!!!

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

DIGA EU TE AMO... SEM PENSAR O SEU AMOR!



A preocupação sincera pelo bem-estar do outro é o sentimento que mais nos distingue dos outros animais. Nós superamos, em complexidade e profundidade, meras e instintivas reações de nutrição ou proteção para com os nossos afetos. Sobre o amor, os psicanalistas, filósofos, neurologistas e poetas sempre buscarão, em vão, compreendê-lo, explicá-lo, localizá-lo e descrevê-lo em seus componentes.


Mas por que essa remota e improdutiva procura de racionalizar tão belo e poderoso afeto? Nós que somos leigos também tentamos na relação que une a causa ao seu efeito, entendê-lo e confundimo-lo, o tempo todo, com outras necessidades que temos como, principalmente, com a necessidade de sexo, proximidade, proteção, controle e dominação em relação às outras pessoas, chamando-as de amor.


O sentimento de incompreensão idolatrada diante dessa força infinita que rege a humanidade, e porque não dizer o mundo, sempre causou e causa a cada um de nós, a sua maneira, muita angústia, insegurança e sofrimento. Infelizmente, não nos foi dada a clareza divina para entender o amor nas suas variadas manifestações. E não fomos criados para convivermos com coisas as quais não entendamos seu completo funcionamento ou suas causas ou como elas nos devem servir.


Você está amando alguém? Essa pergunta basta para que muitos se perguntem embaraçados por tal condição. O amor, lamentavelmente, para a maioria das pessoas, é interpretado ao se experimentar por alguém, sem entender o por quê, controle, posse e ciúme. Já outros passam a vida duvidando dele ou de já terem amado alguém um dia pelo simples fato de não poderem relacionar coerentemente suas sensações e sentimentos vividos a algo devida e totalmente padronizado num conceito definido. Por ser fundamentado em várias intensidades, objetos, motivos, faltas e desejos torna-se difícil conceituá-lo e afirmá-lo como uno. Sugerem alguns que amar é comprazer-se pela simples existência da pessoa amada, regozijar-se pela sua presença, sua graça, pelo seu crescimento pessoal. É temer pela privação dessa pessoa, temer a sua ausência.


Mas a pergunta, pela incapacidade do homem de se definir afetivamente, permanece: o que é viver o perfeito e único amor? É sempre difícil explicar uma sensação, como subjetivamente sabemos. O amor é uma sensação singular percebida ao se viver a experiência de entrega benigna e despretensiosa ao outro. Sim, só pode ser uma entrega tolerante e passiva! Apostando, como um jogador, tudo no outro, pois nesse jogo nem sempre perder é perder. Ao amar ou ao gostar de gostar, a pessoa dá um salto para sua própria evolução e engrandecimento, pois essa disposição, que dispensa retribuições para existir, é uma sublimação muitas vezes maior que o amor doado. Nada que tentemos como defesa contra o amor nos ensinará ou nos fará experimentar algo dele. Amor é sensação. Pensar e querer compreender o que se está querendo, à princípio, sentir é a atitude mais controladora e anestesiante perante ele e suas sensações.

Sendo belo, prazeroso, puro ou não lembremos que, não obstante, as expectativas de frustração, dor e não compartilhamento são as maiores racionalizações durante a vivência do amor. Ao o idealizarmos pela incerteza do que deva ser, nossa expectativa amorosa recai em idéias e fantasias românticas por demais idílicas e, como nos são impossíveis vivências amorosas como a de Romeu e Julieta, que é uma obra de ficção, achamos que nunca amamos “de verdade” ou que essa doce aventura está somente destinada aos outros, que são nobres e felizardos. Dúvida nos sentimentos, desvalorização da relação amorosa ou da pessoa amada e acomodação à solidão por achar que o grande amor não existe são os descaminhos mais seguidos.


Felizmente, a capacidade para o amor, modesta ou escandalosamente, existe na pessoa normal. O seu grau não a torna menos verdadeira. Contudo, não pode ser perfeita, como nas ficções, pelo simples fato de ser uma reação psicológica inerente ao ser humano e esse não realiza trocas afetivas de inigualável qualidade em nenhum compartimento. Entretanto, na retórica eloqüente dos mais intelectualizados ou manifesto dramaticamente nos mais primitivos, o amor sempre tenta a sua expressão.


Para os que optam por estarem juntos, ele acontece lenta e silenciosamente, na introspecção pelo crescimento pessoal: na vontade de compartilhamento, no respeito e orgulho pelo outro, na paciência e humildade para com o outro. O auto-reconhecimento e amadurecimento para quem se dedica à experiência de estar em relação amorosa com o outro é a sua dádiva. Se no seu início o amor ultrapassa os vários momentos egoístas dos seus protagonistas: brigas, competições e os temores da entrega que um causa no outro, ele irá sobreviver em vida ou em pensamento.

Quanto a ser único, isso seria também da ordem do impossível se o pensarmos como algo estático. Achamos que amamos mais uma única pessoa ou já tivemos de amar várias de muitas formas e intensidades, pois o nosso sentir se transforma, como nós, com o tempo e com a verdade que acreditávamos viver no momento. Mas, um amor se torna claramente superior a todos os demais quando gera segurança e vontade mútua em duas pessoas de construírem, dia-a-dia, tijolo por tijolo, uma fundação sólida e uma moradia feita de um mesmo e básico desejo que as unam e abriguem no final. Pelo desejo que sabemos que temos dentro de nós de amar e sermos amados, o mais lógico a se pensar sobre o amor é que talvez a nossa “última opção amorosa” torne-se mais real, original e, já com a bagagem das experiências, verdadeiramente a primeira.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DEPRESSÃO É...



A palavra depressão vem do latim depressio, que significa abaixamento. É um transtorno mental caracterizado pelo rebaixamento do humor, redução da energia, queixas hipocondríacas e diminuição das atividades. Existe uma alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, choro fácil, pensamentos autodepreciativos, idéias suicidas e diminuição da capacidade de concentração associada, em geral, a fadiga acentuada mesmo após esforço mínimo. Mas esse quadro não deve ser confundido com tristeza ou melancolia, estados normais que eventualmente acometem em todos nós.


Aparecem também outros problemas. Existe quase sempre decréscimo da auto-estima, da autoconfiança, do sono e apetite e a pessoa é acometida de um sentimento de culpabilidade. O humor depressivo varia, de dia para dia ou segundo as circunstâncias e pode ser acompanhado de surtos ditos “neuróticos”, como por exemplo, perda acentuada de interesse ou prazer, despertar matinal precoce, várias horas antes do horário habitual, lentidão psicomotora, irritabilidade, agitação, perda de peso e diminuição da libido. A presença e a gravidade dos sintomas permitem determinar os graus de depressão.



A leve caracteriza-se pela presença de dois ou três dos sintomas citados, mas o queixoso consegue, com esforço, manter suas atividades profissionais e sociais; a moderada apresenta quatro ou mais dos sintomas citados e já compromete, em algum grau, as atividades profissionais, sociais e familiares do indivíduo, incluindo também o desinteresse pela atividade sexual. Na grave, a qual os sintomas são vivenciados de forma muito acentuada e angustiante, o deprimido se vê quase sempre a quem da vida e essa é um fardo pesado. O deprimido se sente inútil para merecê-la e geralmente desiste de participar de todos os compartimentos normais da vida que todos nós temos.



O tratamento das depressões pode ser essencialmente medicamentoso e cuja duração dependerá de fatores particulares que as individualizam e, em função do melhor dos prognósticos, também deve ser, de forma complementar, psicoterapeutico. Na depressão reativa, as causas da depressão devem ser buscadas e discutidas com o paciente visando o seu autoconhecimento e a sua compreensão. Geralmente essas causas envolvem perdas significativas, mudanças bruscas de situações estruturadas, de um colapso emocional, de conflitos no aspecto profissional, social, familiar ou dos estágios da vida e no stress prolongado que vão persistir enquanto atuarem as circunstâncias desfavoráveis.



A diferença entre as depressões endógenas e as reativas, em alguns casos, são de difícil distinção sendo mais qualitativas que quantitativas. Nas causas endógenas, é fundamental o apoio de drogas antidepressivas concomitante à abordagem psicoterapeutica para um trabalho de reforço de ego e de treino assertivo que, apesar das resistências comuns dessas personalidades, aumentam as defesas dos pacientes para o enfrentamento das angústias normais inerentes aos seres humanos ou das provenientes da disfunção bioquímica. Mas, a maioria dos sintomas pode ser, com o tratamento adequado, enfrentados pelos medicamentos antidepressivos e pelo aumento da capacidade cognitivo-afetiva do paciente que vão munindo-lhe com defesas mais estruturadas diante da vida e de sua existência.

VC É UMA PESSOA MUITO ANSIOSA?



A ansiedade se manifesta naturalmente nos níveis cognitivo, afetivo e somático em todos nós. A ansiedade patológica, a que gera distúrbios nas pessoas, é aquela que se manifesta como uma necessidade psicológica persistente de preencher uma “falta” interna. Essa falta, em algumas pessoas, é uma necessidade inconsciente de controlar mental e antecipadamente a vida, a si próprios, a todos e a tudo fora dessas pessoas. A ansiedade, nesse sentido, manifesta-se sempre num grau elevado por uma necessidade inconsciente de controle total que impede as pessoas, com essa característica, de serem mais sensíveis, espontâneas e criativas.


A pessoa ansiosa tenta mentalmente antecipar, em pensamento, comportamentos e idéias para controlar situações novas, pessoas ou o desconhecido a volta dela, enfim, tudo que está fora dela própria numa tentativa de atingir à perfeição em tudo e não errar nunca nos seus atos ou palavras. Essa é a resposta inconsciente, mas pouco eficiente, às cobranças e às críticas exageradas feitas por pessoas significativas, no seu passado. Essa pessoa, então, passou por um aprendizado cultural, na sua infância e adolescência, que lhe impôs o medo de errar. E depois, responde pela vida afora, por condicionamento, de forma “autônoma” às exigências rígidas de um padrão interno de comportamento pessoal que se mantém através de pensamentos e atitudes voltados para o acerto, a perfeição e para uma rotina funcional de vida.


Mas a perfeição é uma meta humanamente inatingível, pois nada associado ao ser humano é perfeito. O homem foi concebido por Deus, também para errar. O erro, então, é inerente a existência do homem, lhe foi dado e sempre fará parte de sua caminhada, a qual, diariamente, confirma que todos nós erramos!


A compreensão de que familiares ou pessoas significativas que exigiram ou exigem intransigentemente os acertos, da parte de quem, hoje, sente culpa por não conseguir obter 100% desses acertos em tudo que faz e o tempo todo, também erraram ou erram, é vital. Ser criado sob críticas e/ou cobranças faz desenvolver a conduta perfeccionista e controladora nos indivíduos mais suscetível que a adotam, como “tentativa” de fugir de reprovações externas e, principalmente, das auto-reprovações associadas aos erros. A pessoa muito ansiosa também lida com sentimentos pessoais de inferioridade e inadequação que a impede de admirar a si própria e as outras pessoas, assim como realmente são: seres humanos belos, mas falhos e com muitos limites.


Associado ao medo de errar nos relacionamentos pessoais, sexuais, profissionais, sociais e familiares está o receio de ser questionado, avaliado, enfrentado e pior, rejeitado! Daí a pessoa com esse perfil de personalidade usar de comportamentos voltados para o autoritarismo e o domínio de tudo e de todos nessas situações. Como a dinâmica pessoal do ansioso lhe é, geralmente, inconsciente, a sensação de frustração e imperfeição na ausência das impossíveis respostas perfeitas, as quais vão se evidenciando inatingíveis ao longo da sua vida, retro-alimentam o ciclo da resposta ansiosa: falhas – ansiedade – e mais falhas – e mais ansiedade. Esse comportamento inconsciente é quase sempre passado para os filhos pelas cobranças intermináveis que forjam, ao longo do tempo, um superego muito rígido nos filhos também.


O ansioso para não cometer erros e fugir a qualquer tipo de repreensão tenta viver o que ainda não ocorreu, ou seja, tenta moldar na imaginação as respostas, os comportamentos e as atitudes mais corretas e idealizadamente corretas para tudo, perdendo a sua espontaneidade e criatividade, ensaiando e imaginando o tempo todo, vivendo uma vida de antecipações e temendo as mudanças, as experiências novas... o desconhecido.


Todos temos um pouco de ansiedade no nosso comportamento, o que destoa é a necessidade de algumas pessoas insistirem, ao longo de toda a sua vida, de tentarem mecanismos de defesa onipotentes, mas efetivamente nunca operantes como forma de barrar esse temor, que vem da expectativa negativa interna, de que possam tornarem-se vulneráveis, incapazes ou imperfeitos, aos olhos das pessoas, se cometerem erros.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O CARNAVAL CHEGANDO...



O Carnaval está chegando e o momento é de descontração. Por alguns dias, as obrigações sociais serão esquecidas e “brincar”, como se dizia antigamente, é o que vai interessar aos foliões. Cada pessoa tem seu modo de brincar, condicionado por seus usos e costumes, que nem nessa ocasião são esquecidos. Habitando uma sociedade contraditória, o brasileiro vai para o Carnaval também com Deus, não só com o diabo.


Para grande parte das pessoas, pesa ainda nossa cultura judaico-cristã. Com o tempo, ela se confundiu com outras vertentes e, hoje, temos um sincretismo. Não há religião pura. A repressão se esvai e vão se infiltrando novos hábitos, em práticas sexuais anticonvencionais, como os clubes de swingers (troca de casais) muito na moda e nem tanto “naturais” como se fazem crer, pois a sexualidade é vivenciada antes como hábito de consumo do que como filosofia de vida.



As atitudes sexuais de cada época são ditadas pelo prazer, nada mudou. O indivíduo agora é prático e vale tudo, mantendo certos limites. Mas não vale, por exemplo, fazer todo o sexo do mundo sem proteção, embora o seja feito. Não vale consumir ecstasy, ácidos e muito álcool em boates ou lugares públicos, dirigir embriagado, mas essas coisas também são feitas. A sociedade coíbe essas transgressões, mas valem os novos costumes, como os casais se permitirem pequenas traições, no Carnaval e em qualquer tempo. Mas o Carnaval não muda nada na vida, a vida é que muda.

ENTÃO, ATÉ QUE ENFIM É CARNAVAL!!!!!

No Brasil, ao contrário do que acontece nos outros países, o Carnaval tornou-se um acontecimento de proporções gigantescas, envolvendo muito dinheiro e de grande importância no calendário internacional. Fugiu bastante daquela manifestação do delírio coletivo, do desabafo erótico popular e do humor ingênuo das multidões que saiam às ruas para cantar ou gritar as suas dores e alegrias, para atender a outros megainteresses como os econômicos e de consumo os quais se utilizando dos meios de comunicação, passam a usar descaradamente o sexo como engodo. Juntando-se a isso o álcool e as drogas para um vale tudo sexual. Mas por que essa liberalização outorgada dá tão certo?



As instituições se não adotaram o Carnaval, toleram-no com certa benevolência e já esperam, todos os anos, pelas curiosidades, extravagâncias e escândalos. A função delas é inegavelmente ditar uma cultura repressiva que investe na culpa e sobrevive sob o manto pseudoliberal, relaxando no Carnaval o seu enfoque restritivo mais abrangente que é sobre a sexualidade. Nos dias de hoje, a sexualidade adquire a importância dos grandes temas políticos ou existenciais. Ela estende ao próprio corpo a busca por liberdade e justiça. A tentativa de se padronizar formas saudáveis de se viver à sexualidade é a continuação da interferência na vida privada pelos mecanismos de repressão que regem a nossa vida social. Há grandes interesses em que os “corpos” fiquem fechados ao prazer sexual.



Toda repressão psicológica estabelecida serve frequentemente para atender a motivos políticos. Lembremos Orwell que, no seu livro “1984”, fez uma leitura muito talentosa sobre os interesses do Estado. Naquele, esses são no sentido de que seus cidadãos internalizassem a repressão, como forma de esmagamento de suas condições humanas, decorrendo daí passividade e conformismo que não colocassem em risco o estabelecido. No livro, o fascismo e a sua rigidez têm seus alicerces também fundamentados na extrema repressão sexual.



O Carnaval, assim como o é permitido anualmente, pode ser visto simbolicamente como uma batalha coletivizada (in)consciente, manifestada numa folia sexualizada que expande, em três dias, a luta contra o autoritarismo e as formas de controle sociais. Essa batalha revolucionária, sutil, sem violência e não tão visível, manifestada através do erotismo torna-se, então, uma forma de transgressão dos interditos, um contra-controle anual indispensável para uma vida melhor. Sabemos que a sexualidade é uma energia violenta e mobilizadora e, uma vez que todos a têm como realização pessoal intrínseca ou como, por vezes, um problema a tratar, vivê-la na forma em que se apresentar é abrir um sinal verde para a vida e caminhar para a utilização de todas as capacidades que estamos dotados por nossa condição humana para tal.



Sartre considerou a própria sexualidade como sendo uma estrutura fundamental da existência, por ser essa sinônimo de vida. Portanto, é vital, natural e espontânea no ser humano. Todas as especulações, todos os arranjos hábeis da censura institucional visando impedi-la ou contê-la constantemente, para a submissão e como forma de energia canalizada para o trabalho, para ordem e o progresso, são insustentáveis nas suas formas e nos seus conteúdos. Por isso, curiosamente, acontece o Carnaval.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

BREVEZINHA...


Fechando as gestalts.


Sim, passamos tanto e tanto tempo de nossas vidas procurando a felicidade! Mas, é muito importante largar do medo de não se estar a altura de nossos maravilhosos sonhos, os que podem se tornar realidade de fato, para se poder encontrar e identificar o que é importante mesmo em nossas vidas. Senão, muitos sonhos se tornam repetitivos pesadelos dos quais não conseguimos nos livrar, se continuamos a sonhá-los!

Então, cada dia de nossas vidas se torna um grande investimento no sentido de realizar sonhos. Mas, o que desejar nos sonhos? E o quanto realmente precisamos daquilo que acreditamos desejar? Para todas as pessoas, no ideal dos egos, a felicidade tem medida certa, objeto e momento certos e uma sensação de pleno atendimento futuro.

Busca que gostaríamos tanto que acabasse um dia. Um bem material, uma carreira de sucesso e, lógico, um grande sonho de amor eterno pra viver. Corremos atrás daquilo que julgamos ser imperioso, ser essencial e romanticamente está sempre, de nós, muito distante e inalcançável, enfim!

Mas, como seria toda a verdade de nossos melhores sonhos, dos que acreditamos tão impossíveis de acontecerem, por vezes... se os pudéssemos viver? Se conseguíssemos tê-los mesmo que por breve momento, será que mudaríamos de rumo e buscaríamos preferencialmente, agora na realidade, novos sonhos, por que os momentaneamente vividos se tornaram insuportavelmente muito reais e bem diferentes daquilo que desejamos e então, só gostaríamos de voltar a fechar os olhos para mantê-los lindos sonhos? Perguntas que se tornam as nossas maiores dúvidas, nosso maior entrave para a tal felicidade! Mas alguém disse uma vez: “Na vida e no amor não há como se ter garantias”. Temos de tentar viver os nossos sonhos até o fim... ai, acordar ou não!

Tantas coisas que queremos e que são tão lindas, enquanto são meramente sonhos. Nossa natureza é da falta, nossa pior mazela. E, a contra-senso, sentir essa falta é que nos move, nos faz tentar viver os sonhos, criá-los, recriá-los e correr o risco de voltar a desejar novamente se os vivêssemos e não ficássemos felizes ainda... na desilusão e na desesperança que acontece, por vezes, com esses nossos sonhos. Tudo pode se revelar muito diferente vivendo dentro dos sonhos tão desejados, realidade tão cruel que faz dos sonhos doces ou amargas ilusões. Pois é... viver é muito isso! Sonhemos para que não seja tão somente isso!